Museu da Minha História: objetos comuns, histórias extraordinárias
Museu da Minha História: objetos comuns, histórias extraordinárias
PROBLEMATIZAÇÃO
Quando pensamos em museus e fontes históricas, frequentemente imaginamos documentos antigos, grandes monumentos ou objetos pertencentes a personagens famosos.
Mas será que somente os “grandes personagens” deixam História?
Uma fotografia guardada em uma gaveta, uma receita escrita à mão, um brinquedo antigo, uma ferramenta de trabalho, uma carta, uma peça de roupa, um caderno escolar, um objeto religioso, um ingresso, uma música ou um utensílio doméstico também podem revelar formas de viver, trabalhar, brincar, estudar, comunicar-se e construir relações em diferentes tempos.
É justamente essa mudança de olhar que torna o ensino de História significativo.
Fonte: ARANTES, Mariana Oliveira; AFIUNE, Pepita de Souza; MANESCO, Priscilla Campiolo. Metodologia do Ensino de História. Florianópolis, SC: Arqué, 2024.
SITUAÇÃO-PROBLEMA
Imagine que você será professor(a) de uma turma dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e recebeu o seguinte desafio:
Criar uma experiência denominada “Museu da Nossa História”, ensinando as crianças a perceberem que pessoas comuns também são sujeitos históricos e que objetos cotidianos podem ser interrogados como fontes para compreender mudanças e permanências ao longo do tempo.
Antes de realizar essa experiência com as crianças, você deverá vivenciá-la.
ETAPA 1 – ESCOLHA: “UM OBJETO, MUITAS HISTÓRIAS”
Escolha um objeto real relacionado à história de sua família, de sua comunidade ou à sua própria trajetória. Exemplos: fotografia antiga; brinquedo; receita; utensílio doméstico; peça de roupa; ferramenta de trabalho; carta; cartão; livro; caderno escolar; medalha; objeto religioso; ingresso; disco; fita; documento; objeto relacionado a uma profissão ou outro vestígio que possua significado histórico.
Não é necessário que o objeto seja antigo. O mais importante é que permita investigar uma experiência humana.
Tire uma fotografia sua segurando o objeto escolhido. A fotografia deverá ser inserida no Formulário Padrão.
ETAPA 2 – INVESTIGAÇÃO: “DETETIVE DO TEMPO”
Agora você assumirá o papel de investigador(a).
Elabore uma Ficha de Investigação da Fonte Histórica, respondendo:
1. Identificação da fonte: Qual é o objeto?
2. Temporalidade: De qual período aproximadamente ele é?
3. Origem: A quem pertenceu ou pertence?
4. Função: Para que era ou é utilizado?
5. Memória: Que história está relacionada a esse objeto?
6. Mudanças e permanências: O que mudou entre o período relacionado ao objeto e os dias atuais? O que permaneceu?
7. Vozes da História: Que pessoa ou grupo social pode ter sua história representada por meio dessa fonte?
8. Limites da fonte: O que esse objeto, sozinho, NÃO permite saber?
ETAPA 3 – CRUZAMENTO DE FONTES: “UMA FONTE É SUFICIENTE?”
O historiador não precisa aceitar uma fonte isoladamente.
Escolha uma segunda fonte que possa ampliar, confirmar, complementar ou até contradizer as informações obtidas por meio do objeto.
Você poderá utilizar, por exemplo: fotografia, relato oral, documento, notícia, música, mapa, carta, registro escrito, imagem, vídeo ou outra fonte pertinente.
Apresente a segunda fonte por meio de uma foto e responda, em no mínimo 5 linhas e máximo de 10 linhas:
O que descobrimos quando colocamos as duas fontes em diálogo?
Explique se a segunda fonte confirmou, ampliou, modificou ou problematizou aquilo que você inicialmente acreditava saber.
ETAPA 4 – TRANSFORMAÇÃO DIDÁTICA: “DA FONTE PARA A SALA DE AULA”
Agora você voltará ao papel de professor(a).
Imagine que o objeto selecionado pudesse ser apresentado aos estudantes dos Anos Iniciais. Elabore uma proposta contendo:
a) Ano escolar:
Indique para qual ano dos Anos Iniciais a experiência seria destinada.
b) Tema
Crie um título atrativo para a experiência.
c) Objetivo de aprendizagem
Apresente um objetivo coerente com a BNCC e com o ensino de História.
d) Perguntas de investigador
Crie três perguntas que você faria às crianças diante da fonte.
As perguntas não poderão ser respondidas apenas com “sim” ou “não”.
Procure fazê-las observar, levantar hipóteses, comparar, interpretar e argumentar.
e) Experiência histórica
Em no mínimo de 5 linhas e no máximo de 10 linhas, explique como desenvolveria a experiência com os estudantes utilizando a fonte escolhida.
ETAPA 5 – PRODUTO FINAL: “MINIPEÇA DE MUSEU”
Produza uma pequena etiqueta museológica para acompanhar o objeto. Ela deverá conter:
NOME DO OBJETO
DATA/PERÍODO APROXIMADO
A QUEM PERTENCEU/PERTENCE
PARA QUE ERA/É UTILIZADO
O QUE ELE NOS CONTA SOBRE O PASSADO
UMA PERGUNTA PARA O VISITANTE
Exemplo:
“Se este objeto pudesse falar, que história ele contaria?”
Tire uma segunda fotografia mostrando o objeto + etiqueta museológica finalizada. ETAPA 6 – REFLEXÃO FINAL
Para concluir, escreva um texto dissertativo de no mínimo 10 linhas e máximo de 15 linhas, respondendo:
O que esta experiência revelou sobre sua compreensão de fonte histórica e como você poderá utilizar objetos, memórias e histórias de pessoas comuns para tornar o ensino de História mais investigativo, significativo e próximo da realidade dos estudantes?
Atenção
O objetivo da atividade não é encontrar um objeto raro ou valioso.
O valor da fonte está nas perguntas que somos capazes de fazer a ela. Não exponha informações pessoais, documentos com dados sensíveis ou imagens de terceiros sem autorização.
A produção deverá ser autoral. Utilize os conceitos estudados na disciplina para fundamentar suas análises e registre adequadamente as fontes consultadas.
Bom trabalho e uma excelente investigação histórica!
MAPA – PED – METODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA – 54_2026
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